BOAS-VINDAS

É uma grande alegria receber a sua visita. Tenho o real desejo de tornar este blog um espaço onde possamos discutir, de forma aberta e sincera, assuntos de interesse profissional para todos aqueles que participam da guerra diária contra a criminalidade e a violência.
As opiniões e comentários serão de essencial importância para o sucesso deste espaço de discussões.

OS ARTIGOS PUBLICADOS PODEM SER COPIADOS, DESDE QUE CITADA A FONTE

quinta-feira, 5 de abril de 2012

OPERAÇÕES ESPECIAIS / PÓS-GRADUAÇÃO

Excelente iniciativa do CATI. Como sempre, partindo na frente no que se refere a treinamento policial.


sábado, 10 de março de 2012

PISTOLAS DE USO POLICIAL - Parte 2

CARACAL F


Pistola produzida nos Emirados Árabes e projetada pelo austríaco Wilhelm Bubits, está há muito pouco tempo no mercado, aproximadamente 4 anos, mas já foi o suficiente para ganhar muitos admiradores, principalmente em diversos países da comunidade árabe. É adotada como pistola de dotação oficial pelas Forças Armadas dos Emirados Árabes, bem como das forças de ordem de países como Bahrein, Dubai e Abu Dhabi.

A Caracal tem uma armação produzida em polímero, entretanto apresenta um ferrolho considerado muito pesado. Sua estética é similar à Steyr M9, mas com um mecanismo interno idêntico à Glock, principalmente pela utilização do sistema Safe Action.


Tem um sistema de miras muito simples baseado em dois pontos de fibra óptica, que se alinham com muita facilidade graças a um baixo perfil de sua armação. Apresenta-se em calibre 9mm e com carregador para 18 cartuchos na versão Caracal F (Full Size).


A Caracal também apresenta um inovador sistema de segurança contra utilização indevida, principalmente por crianças, denominado Key Lock System e fornecido como acessório opcional. Trata-se de um objeto que ao ser introduzido no alojamento do carregador pode ser travado com a utilização de uma chave própria, impedindo a introdução de um carregador com munição.



FN FIVE-SEVEN


Lançada oficialmente no mercado pela empresa belga FN Herstal, há cerca de 10 anos, a pistola FN Five-Seven, concebida no desconhecido calibre 5,7 x 28mm, era a principal promessa de uma nova tendência para este tipo de arma, mas, pela dificuldade na obtenção de sua munição, não obteve o sucesso esperado, tendo sido rapidamente superada por outras pistolas de propostas mais comerciais.

Os principais pontos positivos da FN Five-Seven são:
  • Armação construída em polímero.
  • Cano fabricado com cromo endurecido, que impede qualquer tipo de corrosão e oferece uma maior resistência e durabilidade (garantia para 20.000 disparos).
  • Bom controle de seu recuo.
  • Boa capacidade de carga (até 20 cartuchos).
  • Elevado poder de penetração de sua munição, podendo superar, dependendo do tipo de projétil utilizado, coletes balísticos até o nível IIIA (a 50 metros).
  • Alça de mira com regulagem manual de altura.

Atualmente é comercializada em 4 versões diferentes:
  • DAO - Modelo standard com funcionamento somente em dupla ação.
  • TACTICAL - Dispõem de um sistema de dupla e simples ação e trava manual (o modelo standard não apresenta trava).
  • IOM (Individual Officers Model) - Diferencia da Tactical por apresentar um trilho tático e sistema de alça de mira ajustável.
  • USG (United States Goverrnment) - Similar a IOM, mas com um gatilho diferente e uma empunhadura melhorada.
Sua utilização na atividade policial gerou muita controvérsia, em razão do alto poder de penetração de sua munição, mas mesmo assim foi adotada oficialmente pelo GIGN francês.


A FN Herstal, adequando-se melhor ao mercado mundial, lançou diversos outros modelos de pistolas para uso policial, tais como: FNP-9, FNP-40, FNX-9 e FNX-40.



sábado, 11 de fevereiro de 2012

PISTOLAS DE USO POLICIAL - Parte 1

Neste artigo, faremos uma pequena viagem no universo das pistolas policiais mais apreciadas pelos militares e agentes de segurança pública em todo o mundo. Contudo, pela extensão do conteúdo, serei obrigado a dividi-lo em várias postagens.

Em minhas pesquisas, considerando a grande variedade das pistolas encontradas e das dezenas de fabricantes existentes em todo o mundo, tomei a decisão de delimitar um pouco as características das armas que seriam aceitas como importantes para o conteúdo deste artigo. Portanto, não foram relacionadas aquelas consideradas compactas, as que possuem calibre diferente do .40" ou 9mm (exceção para a FN Five-Seven) e as que tenham capacidade de carga inferior a 10 cartuchos por carregador.

As três primeiras pistolas estudadas neste artigo terão um pouco mais de destaque, em razão de diversos fatores:
  • GLOCK - Pela grande aceitação, diversidade de calibres e aplicabilidade tática. É um ícone mundial.
  • CARACAL - Apesar de ainda ser desconhecida no mercado ocidental, está tendo uma grande aceitação em forças policiais de diversos países da comunidade árabe. É a grande novidade.
  • FN FIVE-SEVEN - Pelas controvérsias relacionadas ao seu calibre. É o projeto mais audacioso.

GLOCK G17 / G22


Criada pelo engenheiro austríaco Gaston Glock, no início da década de 80, foi concebida para ser a pistola de dotação oficial do exército da Áustria.

Por conta de várias características inovadoras, a Glock passou a ser referência de qualidade para a grande maioria de policiais e atiradores em todo o mundo (inclusive no exigente e competitivo mercado americano), pelo menos nas primeiras duas décadas depois de seu lançamento.

Principais características das pistolas Glock:
  • Armação produzida em polímero (material leve e resistente).
  • Ferrolho produzido em aço carbono e com tratamento especial em Tenifer (material extremamente resistente à corrosão).
  • Desenho simples em que a ergonomia se sobrepõe aos elementos estéticos.
  • Sistema de segurança denominado Safe Action (extremamente seguro e confiável).
Desde a sua criação, a Glock vem passando por várias fases evolutivas, entretanto sem mudar consideravelmente o seu projeto inicial. Atualmente está ocorrendo o processo de transição da 3ª geração para a 4ª geração.


As mudanças estéticas mais significativas encontradas nas pistolas Glock de 4ª geração são:
  • RTS (Rough Textured Surface) - Mudança na textura da empunhadura com o objetivo de proporcionar uma pegada mais firme e segura, mesmo nas situações mais adversas.
  • MBS (Multiples Back Straps) - Sistema que possibilita uma melhor adequação da empunhadura da pistola a qualquer tamanho de mão, com a simples troca de uma placa da parte traseira do punho. Trata-se de uma tendência já adotada por outros fabricantes como H&K, Walther e Smith & Wesson.
  • Aumento no tamanho do botão do retém do carregador, tornando mais fácil a sua liberação mesmo com o uso de luvas.
Na estrutura mecânica, a Glock de 4ª teve apenas uma novidade: a alteração no desenho da mola recuperadora. Esta mudança ocasionou muita polêmica, pois foram divulgados relatos de falhas de alimentação da arma, atribuídas ao novo sistema. Imediatamente a fábrica desenvolveu uma nova mola recuperadora e ofereceu um recall aos proprietários que quisessem atualizar o sistema. O principal motivo para a mudança da mola recuperadora, que evoluiu de uma mola simples para um dupla, foi diminuir a intensidade do recuo da arma após cada disparo, proporcionando um melhor tempo de recuperação das miras.

A Glock apresenta pistolas nas linha Standard, Compact, Subcompact, Subcompact Slim e Competiton. Além dos calibres: .380" Auto, 9mm, .40" S&W, 10mm Auto, .357", .45" GAP e .45" Auto.

Destaco a G17 (9mm) e a G22 (.40") como as mais apreciadas pelos agentes públicos.

A título de curiosidade, convém citar a G18. É um modelo, em calibre 9mm, que apresenta um seletor de tiro para a sua utilização no modo automático. Não é indicada para forças de segurança pública, apesar de poder ser utilizada em situações específicas por times táticos especiais e melhorada o seu desempenho com a utilização de um kit de conversão em carabina (já falei destes kits aqui no blog).

O vídeo a seguir, produzido pela BlackHawk, é meio "embusteiro" mas dá uma boa ideia do poder de fogo de uma G18.


A Glock continua sendo, quase três décadas depois de seu lançamento no mercado de armas semi-automáticas de porte, a preferida para a atividade policial em quase todo o mundo.

(Próximas pistolas: Caracal e FN Five-Seven)

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

LANÇAMENTO EM 2012


Tendo em vista que a Polícia Militar do Ceará não oferece qualquer apoio que facilite a publicação de algum livro técnico, as pesquisas só deverão estar concluídas perto do final do primeiro semestre de 2012.

segunda-feira, 28 de novembro de 2011

NOVO MÉTODO DE TREINAMENTO DE TIRO POLICIAL


FISIOLOGIA DO ENFRENTAMENTO ARMADO

Não é mais novidade que venho desenvolvendo um novo método de treinamento de tiro policial com base em estudos científicos da Fisiologia do Enfrentamento Armado. Já divulguei este tema nas redes sociais e aqui no Sobrevivência Policial. Por conta disto, algumas pessoas estão querendo saber detalhes sobre a Fisiologia do Enfrentamento Armado e sobre o método de treinamento.

Minha proposta inicial seria a de tornar público o novo método de treinamento de tiro policial por ocasião do lançamento do meu próximo livro, prevista para o início de 2012, mas, em decorrência das inúmeras solicitações, divulgarei pequenos resumos sobre o tema, pois estou terminando todos os detalhes técnicos para o pedido de patente do método.

O QUE É?

Diz respeito ao estudo das alterações fisiológicas experimentadas por uma pessoa em situações de perigo, mais notadamente nas ocorrências de enfrentamento armado, onde há o risco de morte ou ferimento grave.

PARA QUE SERVE?

Essencial para orientar e direcionar um novo método de treinamento de tiro policial, quebrando os paradigmas dos treinamentos tradicionais que costumam afastar-se da realidade de um enfrentamento armado em situações limites.

EM QUE CONSISTE ESSE NOVO MÉTODO?

Os treinamentos, estruturados com base nos estudos da Fisiologia do Enfrentamento Armado, aproximam-se ao máximo da realidade dos confrontos, sempre levando em consideração que a simplicidade nos procedimentos é a “peça chave” para a drástica diminuição nos riscos de morte ou ferimentos graves a que poderão ficar expostos os policiais e/ou pessoas inocentes. Alicerça-se em dois pilares básicos: ciência e empirismo. O primeiro fornece o entendimento científico necessário para prever o comportamento humano em situações limites, e o segundo dá a capacidade de alinhar adequadamente as técnicas e táticas do treinamento de tiro policial com a realidade das ruas.

QUAIS SÃO AS BASES TEÓRICAS?

  • Rex Applegate - EUA
  • Bruce Siddle - EUA
  • Ernesto Perez – ESPANHA
  • Estudos científicos sobre o medo
  • Estudos científicos sobre o estresse traumático

TREINAMENTO TRADICIONAL



TREINAMENTO PROPOSTO



ESTRESSE DE COMBATE
 
O estresse relacionado aos enfrentamentos armados tem fatores atuando antes (se não for uma agressão de extrema surpresa), durante e depois.

FOCO DO MÉTODO – Durante as situações de risco.

FATOR PSICOLÓGICO – Controla o medo.
Quando o policial se sente preparado para as situações de enfrentamento, mantém certo grau de controle da situação e é capaz de oferecer respostas mais apropriadas para a situação hostil.

FATOR FISIOLÓGICO – Não tem controle.
Ante uma situação hostil, o corpo humano produzirá uma série de reações automáticas.

CONCLUSÃO
Como não tenho controle sobre as mudanças fisiológicas observáveis em situações de enfrentamento armado, devo adequar o meu treinamento para se compatibilizar com a minha temporária limitação orgânica.


TABELA COMPARATIVA

Click na tabela para ampliar

segunda-feira, 7 de novembro de 2011

TRANSFORMANDO PISTOLAS EM CARABINAS - KITS DE CONVERSÃO



Na história evolutiva das armas de fogo, desde os primórdios os atiradores buscam uma forma de unir as características de portabilidade de pistolas e revólveres à comodidade e precisão das carabinas.

Já com armas de tiro unitário simples, de antecarga, como a Springfield Model 1855 da imagem a seguir, buscava-se a inclusão de um acessório que possibilitasse ao atirador uma melhor comodidade e precisão para os disparos.
 
Com a popularização das pistolas, continuou a necessidade de dispor de mecanismos que pudessem, de uma forma simples e rápida, transformá-las em uma carabina. Desta época, a mais famosas foram: Mauser 1896 Red Nine e a Luger P08.


A partir destas idéias é que foram idealizados os atuais Kits de Conversão, onde pistolas de diversas marcas e modelos podem ser facilmente convertidas em uma carabina. As primeiras pistolas modernas a serem contempladas com este tipo de kit foram as da família Glock.

Uma das empresas que mais tem apostado comercialmente nestes acessórios é a alemã HERA ARMS, inicialmente com o kit GCC - Glock Carbine Conversion, e posteriormente com o CPE – Colt Pistol Extension (para qualquer pistola no modelo 1911 em calibre .45). Recentemente a Hera Arms produziu o kit TRIARII, para pistolas de diversos fabricantes e modelos.
Glock Carbine Conversion

Colt Pistol Extension

TRIARII
 Os kits de conversão, além da facilidade de montagem, possuem a vantagem de possibilitar a utilização de diversos tipos de acessórios táticos, tais como: lanterna, laser, mira eletrônica, etc.

Outra grande empresa que vem investindo nos kits de conversão é a americana MECH TECH SYSTEMS, que desenvolveu o CCU – Carbine Conversion Unit.
CCU Glock

CCU 1911

Vejam mais algumas empresas que estão apostando nos kits de conversão:

  • Command Arms Accessories – CAA Tactical

  • Turn-Key Tactical Solutions – Rapid Response Pistol Stabilizer

  • Fab Defense
 Vejam os vídeos a seguir e tirem suas próprias conclusões sobre a utilidade destes kits de conversão:



sábado, 29 de outubro de 2011

ASSALTOS A BANCO NO INTERIOR NORDESTINO


As ações de grupos criminosos contra agências bancárias, postos de auto-atendimento e veículos de transporte de valores, nas cidades interioranas, em todo o Brasil, tem sido uma grande preocupação por parte das autoridades de segurança pública. Este tipo de ocorrência vem aumentando a cada ano.

O Nordeste é uma das regiões que tem sofrido muito com os roubos e furtos qualificados praticados contra as instituições financeiras.


Esta modalidade criminosa teve um grande incremento a partir de 2009, quando a utilização de explosivos passou a facilitar a ação dos bandidos. Com esta “ferramenta”, toda a logística necessária para a concretização do crime é bem mais simples (considerando que não há mais a necessidade de realizar o assalto durante o dia):

  • Menor quantidade de pessoas envolvidas.
  • Ações noturnas que facilitam a fuga e a ocultação.
  • Não há a necessidade de muitos veículos.
  • Menor quantidade de armas e de menor calibre.
  • Reduzida quantidade de testemunhas.

Observe no gráfico, a seguir, o grande aumento na quantidade de ocorrências de furto qualificado, ultrapassando, a partir de 2009, as ocorrências de roubo. Isto significa que os bandidos estão dando preferência às ações praticadas nos horários fora do expediente bancário, normalmente durante a madrugada.  Tudo isto facilitado pela utilização de explosivos.


Artefato explosivo utilizado no arrombamento de caixas eletrônicos

Através de um trabalho científico, alicerçado em um completo banco de dados estatístico sobre as ocorrências bancárias registradas em toda a Região Nordeste, bem como através de uma confiável rede de informações sobre as operações de grupos criminosos, o Comando de Policiamento do Interior da Polícia Militar do Ceará conseguiu reduzir drasticamente a ocorrência destas ações nos 175 municípios sob a sua responsabilidade operacional.

Observem, a seguir, o ranking nordestino dos Estados com maior número de ocorrências bancárias. O Ceará deixou a 2ª colocação nos anos de 2009 e 2010 para ocupar a penúltima posição, perdendo apenas para Sergipe.