BOAS-VINDAS

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domingo, 23 de agosto de 2009

O MUNDO NOS EIXOS

Estou realizando um curso, na Universidade de Fortaleza, intitulado MEDIAÇÃO DE CONFLITOS; patrocinado pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, provavelmente com verba do Governo Federal.
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Não poderia deixar de registrar minha decepção com a estrutura curricular dessa extensão universitária/profissional. Trata-se de mais um curso que foge completamente de seus objetivos primários, voltando todo o seu foco para a "filosofia" da polícia comunitária, como se esta fosse a "lâmpada maravilhosa" para a resolução dos problemas da segurança pública no Brasil.
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Infelizmente, continuamos discutindo o "sexo dos anjos" com professores que, apesar das boas intenções, simplesmente por terem lido alguns livros sobre o assunto, consideram-se os privilegiados conhecedores da problemática do combate à criminalidade, apoiados por policiais que defendem com unhas e dentes a tal filosofia, para não ficarem fora de moda ou serem bem vistos pelas autoridades estaduais; deixam-se possuir por Hamlet, o famoso personagem de William Shakespeare:
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"O mundo está fora dos eixos. Oh! Maldita sorte!... Por que nasci para colocá-lo em ordem!..."
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Estes utópicos profissionais, entretanto ingênuos, exortam o policiamento comunitário como a "fórmula mágica" dos problemas, mas são incapazes de desenvolver um único projeto com resultados práticos de redução dos índices de violência e criminalidade. Mas, com absoluta certeza, nunca leram: Police. Sub-culture: An Appreciation (P. Waddington), ou The Police and Social Conflict (Fielding), ou Police Work (P. Manning).
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Todos os autores anteriores falam do "modismo" do policiamento comunitário e da transformação deste no "gigante retórico" dos discursos sobre reforma da polícia.
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"Policiamento comunitário é uma contradição, pois se a polícia pudesse servir à comunidade inteira, não haveria utilidade em se ter uma polícia". (P. Waddington)
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O contato e o relacionamento entre polícia e comunidade é essencial e de extrema importância, não discordo um só milímetro disto, mas em nenhum momento será, da forma isolada e politizada como está sendo executada no Brasil, a resolução para a questão.
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Será difícil entender que a total ausência de vigorosos e abrangentes projetos sociais, aliados à quase falência da educação pública no País, somado à arcaica e ineficiente estrutura policial brasileira, são os verdadeiros promotores da criminalidade? A gigantesca desigualdade social não seria o combustível disso tudo?
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Já é hora do povo deixar de ser enganado e iludido. Não há mais cabimento em se perder tempo com a tal polícia comunitária, se não procurarmos educar nossas crianças, fornecer formação técnica e esportes aos jovens, criar melhores condições de emprego e renda, e, acima de tudo, modernizar radicalmente a estrutura policial no Brasil, com a consequente valorização dos policiais.

Um comentário:

Rivelino Veiga disse...

...se não procurarmos educar nossas crianças, fornecer formação técnica e esportes aos jovens, criar melhores condições de emprego e renda, e, acima de tudo, modernizar radicalmente a estrutura policial no Brasil, com a consequente valorização dos policiais.

Esse último parágrafo diz respeito ao modelo de polícia comunitária; e por isso, fico feliz, que até mesmo os opositores dessa filosofia, vem adotando em suas 'teses' a maneira de fazer o policiamento comunitário. Há duzentos anos(1808) que estamos encarcerados num regime dicotomico de polícia e até o momento os resulyados foram funestos -tá na hora de mudar, não a estruitura, mas a cultura que temos herdado. abç.