BOAS-VINDAS

É uma grande alegria receber a sua visita. Tenho o real desejo de tornar este blog um espaço onde possamos discutir, de forma aberta e sincera, assuntos de interesse profissional para todos aqueles que participam da guerra diária contra a criminalidade e a violência.
As opiniões e comentários serão de essencial importância para o sucesso deste espaço de discussões.

OS ARTIGOS PUBLICADOS PODEM SER COPIADOS, DESDE QUE CITADA A FONTE

sábado, 8 de outubro de 2011

OPERAÇÕES POLICIAIS EM BAIXA LUMINOSIDADE

Artigo da Série Sobrevivência Policial


Nesta postagem, farei apenas um pequeno resumo de mais um dos assuntos que fará parte do meu próximo livro técnico.



Um acessório tático de extrema importância, que infelizmente é desprezado pela grande maioria dos policiais brasileiros, a lanterna é uma ferramenta essencial para a atividade policial. Ela deve ser utilizada em qualquer situação em que o nível de luminosidade do ambiente prejudique a segurança do agente de segurança pública, não importando se é um local fechado ou ao ar livre, ou se a escuridão é total ou parcial.


Todo confronto armado sempre será uma situação de risco para o policial. Se este confronto for em um local fechado, os riscos serão bem maiores. Acrescentando-se a isto a possibilidade do ambiente estar mal iluminado, os níveis de estresse estarão elevadíssimos, daí a importância de equipamentos auxiliares à atividade do policial, além da necessidade de treinamento constante.


Massad Ayoob, o famoso instrutor americano de tiro policial, relacionou as cinco principais funções da lanterna:

1.      Achar o caminho no escuro.
2.      Identificar o alvo.
3.      Cegar momentaneamente o oponente.
4.      Usar como instrumento de autodefesa.
5.      Iluminar o alvo para um disparo preciso.

O tema confronto em baixa luminosidade tem sido alvo de diversas publicações por todo o mundo, devido a sua extrema importância para as técnicas de sobrevivência policial. Aqui no Brasil, o policial federal Eduardo Maia Betini publicou o livro Lanterna Tática: Atividade Policial em Situações de Baixa Visibilidade.

Considerando que 80% de toda a informação sensorial humana é percebida pelo sistema visual, o maior problema em operar em locais com baixa luminosidade não está relacionado à diminuição na habilidade para utilizar a arma de fogo, mas sim na dificuldade em se identificar claramente o alvo. Se o policial não pode ver, também não poderá se defender.


Tão importante quanto portar uma lanterna de qualidade e adequada à atividade policial será realizar treinamentos específicos para a sua utilização com segurança. Existem diversos métodos de tiro combinados com o uso da lanterna, cada um com os seus pontos positivos e negativos, devendo o policial utilizar o método mais adequado para o tipo de situação em que esteja inserido, como também aquele que melhor se encaixa com o tipo de lanterna e/ou de arma que esteja utilizando. Dentre estes métodos, podemos citar:

  • Harries
  • Rogers
  • FBI
  • Chapman
  • Keller
  • NYPD
  • Ayoob
  • Marine Corps
  • Hargreava Lite-Touch
  • Neck-Index
  • Guisande



O vídeo a seguir é uma simples amostra de um treinamento que realizei para Agentes de Segurança do Poder Judiciário Federal. Observem o nível de dificuldade que é imposto pela necessidade de uma clara identificação do alvo contraposta pelo baixíssimo nível de luminosidade.




O normal seria que os policiais tivessem instruções práticas específicas para a atuação em situações de baixa luminosidade, mas enquanto isso não acontece procure seguir estes conselhos básicos:


1º - Utilizar a lanterna o menos possível. Uma boa técnica é ligar rapidamente a lanterna e “fotografar” mentalmente o ambiente, deslocar-se, parar e ligar novamente; seguindo desta forma sempre que possível.

2º - Da mesma maneira que a escuridão é uma inimiga do policial, servindo para dificultar uma perfeita identificação do alvo, ela pode ser utilizada por ele como uma zona de ocultação.

3º - Atentar para a questão da adaptação visual ao nível de iluminação, ou seja, passar de um ambiente iluminado para outro pouco iluminado.

4º - Quando o nível de luz não permitir uma visualização adequada das miras da arma, uma boa posição de tiro garantirá a qualidade dos disparos.

5º - Sempre identificar cautelosamente o alvo antes de disparar.

6º - Se ocorrer a necessidade de atirar contra uma pessoa, a lanterna deverá permanecer ligada até se ter a certeza de que o bandido não oferecerá mais resistência.

7º - Durante a realização de uma prisão, a lanterna deverá permanecer ligada e voltada para os olhos do infrator.

8º - Utilizar lanterna de boa qualidade e potente, pois esta pode servir para atordoar momentaneamente o oponente.

9º - Não direcionar o foco da lanterna para um de seus companheiros, pois você poderá torná-lo um alvo fácil para os disparos dos bandidos.

10º - No interior de construções, muito cuidado com as zonas consideradas de elevado risco: entradas de portas, corredores, escadas, etc; principalmente se o policial estiver em um compartimento mais iluminado do que o outro onde possa estar o bandido. Nestas situações seguir estes princípios básicos:
-         Deter-se, olhar, escutar.
-         Movimentos lentos, suaves e silenciosos.
-         Utilizar a estrutura do edifício a seu favor.
-         No momento da abordagem ser:
o       Rápido
o       Incisivo
o       Enérgico



quarta-feira, 7 de setembro de 2011

CHOQUE


Comandando a tropa do Batalhão de Choque no desfile militar do 7 de Setembro em 2008

O único local onde trabalhei do qual sinto saudades. CHOQUE!!!

QUALIFICAÇÃO POLICIAL

Há algum tempo, em minhas análises sobre a atual situação do sistema de segurança pública brasileiro, venho defendendo uma radical mudança em toda a estrutura, através de dois tópicos bases: desmilitarização e criação de polícias estaduais únicas.

Apesar de defender a desmilitarização, discordo completamente das análises que atribuem, exclusivamente, à característica militar das corporações policiais estaduais a culpa pelos casos de violência policial. Ao meu modo de ver, são diversas as variáveis institucionais (somando-se ao quesito: militarismo) que levam o profissional de segurança pública a extrapolar os limites legais nas interações com o público.

A maior culpa pela ocorrência de casos de violência policial deve recair sobre a existência de uma formação inadequada e falha. Entretanto, muita gente pensa que uma formação policial muito rígida acarreta no profissional um certo grau de revolta que irá gerar, consequentemente, um aumento nos casos de violência nos contatos com o público. Este pensamento é completamente equivocado e preconceituoso.

As técnicas adquiridas através de uma formação rigorosa forjam o policial de uma maneira mais eficiente. Para comprovar, basta analisar as ações desenvolvidas por grupos policiais especializados (BOPE, GATE, COE, etc.), estes apresentam baixa letalidade ativa e passiva, ou seja, baixo índice de mortes de inocentes ou dos próprios policiais.

A Academia Estadual de Segurança Pública (AESP) é hoje uma realidade no Ceará. Em 2005, quando apresentei o projeto de sua criação, através de tese monográfica no Curso de Aperfeiçoamento de Oficiais, um dos avaliadores, o Cel. RR Raimundo Ferreira da Conceição, tirou-me a primeira colocação no curso afirmando que o projeto era uma utopia.

Nossos companheiros cometem erros e arbitrariedades, chegando a destruir suas carreiras e a imagem das corporações policiais, na maioria dos casos por estarem despreparados e desatualizados, por carência ou total ausência de instruções adequadas e treinamentos. É aí que entra a importância da AESP para o sistema de segurança pública estadual. 

A qualificação dos profissionais de segurança pública deve ser imediatamente reavaliada; deve deixar de beneficiar uma pequena parcela do público interno e ter uma amplitude mais global. A qualificação, através de treinamentos e cursos, deveria ser incessante e obrigatória a todos, entretanto incluído na carga horária de trabalho do policial e não obrigando-o a comparecer em seu período de folga.

quarta-feira, 31 de agosto de 2011

SÉRIE ENTREVISTAS - CAPITÃO WAGNER SOUSA

Já havíamos divulgado anteriormente que um dos projetos previstos para o Sobrevivência Policial, ainda para este ano, seria a realização periódica de entrevistas com pessoas que tenham algum tipo de ligação com o sistema de segurança pública estadual, com os propósitos de resgatar a nossa história, apresentar projetos viáveis ou, simplesmente, fornecer algum tipo de informação importante aos nossos leitores.

Inaugurando este projeto, publicamos uma entrevista realizada com o Capitão Wagner Sousa, da Polícia Militar do Ceará, que daqui há poucos dias assumirá uma vaga na Assembleia Legislativa do Ceará, sendo o primeiro militar estadual eleito como representante legítimo da categoria.

Colaborou com esta entrevista a Dra. Christianne Lima (OAB/CE Nº 10.232).


Sobrevivência Policial (SP) – Nas últimas eleições, você conquistou aproximadamente 29 mil votos, tendo ficado na condição de 1º suplente de Deputado Estadual do partido pelo qual foi candidato. Quais as possibilidades de você vir a assumir uma vaga na Assembleia Legislativa?

Wagner Sousa (WS) - Na verdade a possibilidade é concreta, pois a Deputada Fernanda Pessoa deverá entrar de Licença para tratar de assunto particular por quatro meses, a partir do final de setembro, e dia 28 do mesmo mês estaremos assumindo a cadeira de líder do Partido da República na Assembleia Legislativa.


SP - Como ficará a sua situação profissional após isso?

WS - Infelizmente irei para a Reserva Remunerada com salário proporcional, como tenho apenas 13 anos de polícia meu salário será reduzido em mais da metade.


SP - Quais seus principais projetos como Deputado Estadual?

WS - Nós sabemos que a principal carência da tropa hoje é por melhores salários, pois temos um dos piores salários do país. Vamos tentar convencer, de todas as formas, o executivo estadual desta necessidade, bem como iremos tentar reformular o Estatuto e o Código Disciplinar dos militares estaduais.


SP - Você tem afirmado que vem sofrendo diversas situações de assédio moral no meio profissional, isso se deve ao simples fato de ter sido candidato, em razão do seu partido ser de oposição ao atual governo estadual ou foi imposto exclusivamente por conta da estrutura militar da polícia militar?

WS - Não acredito que a perseguição seja causada pelo militarismo. Acredito que minha postura de falar a verdade em relação aos atos de superiores e subordinados, inclusive a respeito do sistema político e administrativo do estado, assustam algumas pessoas, que por temerem perder suas gordas gratificações, mesmo concordando com o que tenho dito, me perseguem através de procedimentos administrativos e criminais sem o menor cabimento.


SP – Como será a sua relação com o governo do estado?

WS – Algumas pessoas perguntam se vou pegar pesado. Se pegar pesado for falar a verdade, pretendo sim. Enquanto for representante dos profissionais de segurança pública do Ceará, tenho o dever de defendê-los mesmo com o risco da própria vida.


SP – Qual o significado para os militares estaduais em terem um representante na Assembleia Legislativa?

WS - Os militares estaduais são muito fortes. Se tiverem um líder para organizar e lhes mostrar o valor político desta força, eles podem ser reconhecidos pelo brilhante serviço que prestam a comunidade. Em breve estes militares terão representantes em todas as esferas de governo: municipal, estadual e federal.


SP – Como uma maior conscientização política dos profissionais de segurança pública deverá contribuir para a melhoria das condições de trabalho?

WS - Sem a menor sombra de dúvidas, os militares conscientes passaram a brigar mais por seus direitos. Todos nós sabemos que com a representatividade as categorias passaram a conquistar melhorias e por isso, finalmente, acordaram um elefante adormecido chamado de profissionais de segurança pública unidos...com esses ninguém pode, ou melhor, só Deus pode detê-los.

domingo, 28 de agosto de 2011

ARTIGO DA SÉRIE SOBREVIVÊNCIA POLICIAL


USO TÁTICO DO ABRIGO E DO MOVIMENTO EM SITUAÇÕES DE CONFRONTO

Todo policial, em suas atividades rotineiras de policiamento, está sujeito a enfrentar situações de confrontos contra bandidos armados. Um tiroteio sempre será uma situação muito delicada e perigosa, pois, por mais preparado que o policial esteja, as características destes tipos de ocorrências envolvem muita tensão e riscos, tanto para o profissional de segurança pública quanto para pessoas inocentes.

Considerando, ainda mais, que tais confrontos envolvem altos níveis de estresse, ocasionando mudanças fisiológicas importantes no organismo do policial, é altamente recomendado, quando o policial estiver envolvido em situações de confrontos armados, que sejam observadas as dicas a seguir :

ð Em situações de confrontos armados, uma das primeiras atitudes do policial, que esteja diretamente envolvido na ocorrência, será procurar um abrigo contra os disparos dos marginais. Estando devidamente protegido, ele terá melhores condições de aplicar o método OODA (falarei mais detalhadamente deste método em outro artigo):

  • OBSERVAR: avaliar a situação de forma geral, sentindo o nível de perigo do confronto.
  • ORGANIZAR: identificar os possíveis alvos e avaliar a possibilidade de riscos a pessoas inocentes, levando em consideração a proporcionalidade de opositores e o poder de fogo contrário. 
  • DECIDIR: guiando-se pelo nível técnico que possuí, bem como por suas experiências profissionais, decidir qual será a tática mais adequada para o tipo de ocorrência que está enfrentando, tendo como pressupostos a sua segurança e a de outras pessoas, nesta ordem. 
  • ATUAR: alicerçado pelos tópicos anteriores, agir adequadamente e com segurança. 
ð Se o policial encontrar um bom abrigo, e a situação tática permitir, é indicado que ele permaneça neste local enquanto durar o confronto.

ð Se estiver em um local aberto, com ausência de abrigos seguros, o policial deverá mudar de posição constantemente. Alvos móveis reduzem drasticamente a probabilidade de ser atingido pelos disparos dos bandidos. Estes deslocamentos não deverão ser realizados na mesma direção da linha dos tiros.

ð O policial deve sempre trocar de posição, entretanto para um abrigo mais protegido do que o anterior. O contrário só ocorrerá (passar de uma posição mais protegida para uma pior) se a situação tática exigir – como, por exemplo, para proteger um flanco descoberto.

ð Quando for mudar de posição, o policial deverá já ter traçado claramente o próximo objetivo e a forma como irá se mover. O deslocamento deverá ser realizado de forma rápida e precisa, adotando imediatamente uma posição de tiro adequada tão logo esteja abrigado.

ð É muito mais indicado ter qualidade nos disparos do que quantidade. Ficar sem munição durante um confronto pode ser fatal para o policial. Quando estiver abrigado, identifique claramente os alvos antes de realizar qualquer disparo. Importante: atente sempre para os riscos a pessoas inocentes.

ð Se houver necessidade de recarregar a arma, procurar fazer quando estiver abrigado.

ð Nunca ficar em pé e parado por mais de três segundos, quando estiver desabrigado.

ð Evitar disparar enquanto se move. Exceção para os casos em que haja a necessidade de uma resposta imediata em confrontos de curta distância e sem a disponibilidade de abrigos próximos, para fugir da "zona de morte", e quando não houver riscos para inocentes.

ð Entenda que abrigo é diferente de cobertura; o primeiro protege o policial dos disparos dos marginais, enquanto o segundo apenas oculta a sua posição. Uma coberta não é um abrigo. Por exemplo: o policial por trás da porta de uma viatura não estará abrigado.

ð Quando a ocorrência estiver completamente desfavorável para a segurança do policial ou quando pessoas inocentes estiverem correndo sérios riscos, não será vergonha ou desonra abandonar temporariamente o confronto.

Esta postagem é um fragmento de um artigo integrante de um novo livro deste autor que está para ser publicado, entretanto já legalmente protegido. É autorizada a reprodução parcial desde que citada a fonte e indicado o link.

terça-feira, 23 de agosto de 2011

QUALIDADE TÉCNICA DOS INSTRUTORES DE TIRO POLICIAL

A Academia Estadual de Segurança Pública do Estado do Ceará está em processo de seleção de seus professores e instrutores. Por este motivo, é essencial que o vídeo a seguir seja amplamente divulgado e discutido, para que fatos deste tipo não voltem a acontecer.


Inclusive, em postagem do dia 1 de novembro de 2010 (http://sobrevivenciapolicial.blogspot.com/2010/11/tiro-em-seco-lacrando-pistola.html), demonstrei uma forma simples e prática de evitar acidentes durante simulações com a utilização de armas reais.

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

ASSALTOS CONTRA VEÍCULOS BLINDADOS




Veículo utilizado para parar um blindado de uma empresa de segurança, por ocasião de um roubo ocorrido em 14 de janeiro deste ano no município de Uruoca, onde foram levados um milhão e trezentos mil Reais e um dos vigilantes faleceu ao receber um tiro de fuzil.

Observem que foi instalada uma proteção feita com barrotes de madeira e deixada "escotilhas" para a realização dos disparos de fuzis que atingiram o motor do carro-forte. Observem ainda que os vigilantes também dispararam contra o Gol, mas os barrotes suportaram os disparos de espingarda calibre 12, inclusive projéteis tipo balote.



Estou preparando um estudo bem completo sobre Ações Criminosas Realizadas Contra Veículos de Transporte de Valores, que, além de todo um levantamento estatístico sobre as ocorrências dos últimos cinco anos, será possível desenhar o modus operandi das quadrilhas especializadas nestes tipos de ações.