BOAS-VINDAS

É uma grande alegria receber a sua visita. Tenho o real desejo de tornar este blog um espaço onde possamos discutir, de forma aberta e sincera, assuntos de interesse profissional para todos aqueles que participam da guerra diária contra a criminalidade e a violência.
As opiniões e comentários serão de essencial importância para o sucesso deste espaço de discussões.

OS ARTIGOS PUBLICADOS PODEM SER COPIADOS, DESDE QUE CITADA A FONTE

segunda-feira, 16 de maio de 2011

CITAÇÃO AO ACASO

Metade do seu controle do poder vem do que você não faz, do que você não se permite ser arrastado a fazer. Para isso, você deve aprender a julgar todas as coisas pelo preço que terá que pagar por elas. Como Nietzsche escreveu, "O valor de uma coisa às vezes não está no que se consegue com ela, mas no que se paga por ela - o que ela nos custa".
Robert Greene (As 48 Leis do Poder) 

quinta-feira, 12 de maio de 2011

INTERIORIZAÇÃO DA VIOLÊNCIA

Desde o início do mês de fevereiro venho desenvolvendo minhas atividades profissionais no Comando de Policiamento do Interior (CPI), sendo este o grande motivo pelo qual não tenho estado muito presente aqui no Sobrevivência Policial, em razão da enorme quantidade de viagens ao interior do Ceará.

Apesar de já conhecer todos os 184 municípios cearenses, estou revendo-os, nesta nova missão, sob um novo prisma. Tenho comprovado, na prática, alguns novos fenômenos relacionados à segurança pública e que pesquisadores há muito estão alertando; são eles:
  • Interiorização da violência - Há um maior crescimento nos números da violência, principalmente os homicídios, nos municípios do interior.
  • Espalhamento da criminalidade - Tem sido o deslocamento das ações criminosas rumo a locais com menor presença de agentes de segurança pública.
Só para se ter uma pequena ideia: com base em dados do Sistema de Informações Sobre Mortalidade, do Ministério da Saúde, no decênio 1998/2008 as taxas de homicídios (por 100 mil hab.) tiveram um aumento de 38,6% nos municípios brasileiros que não pertecem às Regiões Metropolitanas, enquanto neste mesmo período o crescimento total brasileiro das taxas de homicídios foi de 1,9%. As Capitais brasileiras tiveram uma redução de 17,7% e as Regiões Metropolitanas uma redução de 24,6%. Infelizmente a Região Metropolitana de Fortaleza seguiu na contramão da tendência brasileira, tendo um aumento de 100,6% nas taxas de homicídios.

Atualmente, por conta da aproximação da Copa do Mundo de Futebol em 2014, há muita preocupação com os projetos de segurança para as cidades brasileiras que serão subsedes, entretanto, se não houver um real interesse público com a questão da segurança pública nas cidades interioranas, até 2014 será um tempo suficiente para que a violência e a criminalidade fujam do controle policial.

sexta-feira, 22 de abril de 2011

IMBEL MD-97

Há poucos dias, durante um treinamento de tiro com o efetivo do BPCHOQUE, duas MD-97 IMBEL literalmente explodiram, causando, inclusive, ferimentos nos atiradores.

Considerando que já corriam rumores de diversos acidentes e incidentes com esta arma em sua utilização pela Força Nacional de Segurança Pública, procurei o representante da IMBEL para tentar buscar uma explicação. Fui informado que técnicos da empresa estariam vindo ao Ceará para uma análise detalhada das armas, bem como da munição que estava sendo utilizada.


Vamos aguardar os resultados, pois é essencial que tenhamos segurança para trabalhar com uma arma confiável e não com uma bomba que a qualquer momento pode explodir em nossa cara. Eu mesmo vinha trabalhando com uma MD-97, como pode ser visto em uma das fotos à direita, mas, depois disto, já voltei para MT-40 "velha de guerra".

O mais incrível de tudo é que, apesar destas deficiências, o Exército Brasileiro não tem autorizado a aquisição de armamentos importados por parte das polícias estaduais.







LETALIDADE POLICIAL

As ocorrências de confrontos armados entre policiais e bandidos têm sido muito mais frequentes aqui no Brasil, o que gerou um aumento na quantidade de policiais assassinados no desempenho de suas atividades profissionais.

Muito se tem falado sobre "Letalidade Policial", mas, infelizmente, na maioria dos estudos, as forças policiais são colocadas como agente ativo desta letalidade (o policial como assassino). São raras as pesquisas sobre a morte de policiais em serviço ou em função desta atividade.

Em uma rápida busca na internet, podemos achar facilmente diversos estudos e pesquisas sobre a "Letalidade da Ação Policial". Exemplo é a que foi produzida em 2009 pela ONG Anistia Internacional sobre a violência policial e a violência urbana no Brasil moderno: Lethal Force: Police Violence and Publica Security in Rio de Janeiro and São Paulo.

Informações e dados confiáveis sobre a morte de policiais brasileiros são muito escassos. Os que existem são produzidos basicamente por entidades representativas de classes, abnegados companheiros da blogosfera policial e uns poucos jornalistas.
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Em resumo: não sabemos como, quando e onde nossos policiais estão sendo vítimas da violência, dificultando qualquer esforço de adequação dos treinamentos, estabelecimento de políticas preventivas e a consequente melhoria nas condições de trabalho.

Não gosto de buscar comparações com outros países, principalmente os EUA, em razão das peculiaridades sociais, econômicas e culturais de cada um deles, mas alguns exemplos são merecedores de citação.

Nos EUA, o FBI, quase que anualmente, realiza uma rigorosa pesquisa sobre a morte de policiais, é a LEOKA (Law Enforcement Officers Killed e Assaulted).

Com as informações obtidas por estas pesquisas, diversas políticas de proteção ao trabalho policial são criadas. Até mesmo equipamentos de proteção são desenvolvidos com base nos dados coletados. É por isso que os EUA mantêm uma média anual de 53,6 policiais mortos na última década em todo o país, enquanto o Brasil teve 95 policiais assassinados no ano de 2010 somente no Rio de Janeiro.

quarta-feira, 13 de abril de 2011

KIT TÁTICO OPERACIONAL PARA MOTOCICLETAS

No início do segundo semestre de 2009, época em que estava na função de Subcomandante do Batalhão de Polícia de Choque (BPChoque), elaborei o projeto de estruturação da Companhia de Intervenções Não-Letais, que se desenvolveria a partir de uma intensa modernização da atual Companhia de Controle de Distúrbios Civis (CDC).

Este projeto previa, complementarmente, a criação do G-CHOQUE (Grupamento Motorizado de Choque Ligeiro), onde, com a assessoria especializada do Capitão Naerton Menezes (Operador Químico cursado pelo BOPE/DF), então Comandante do CDC, desenvolvemos a ideia da criação do KTOM (Kit Tático Operacional para Motocicletas).





A empresa CONDOR, fabricante de equipamentos e armamentos não letais, imediatamente designou um representante para vir buscar informações mais detalhadas sobre o projeto, tendo produzido um protótipo do KTOM.


Fiquei feliz em saber que a CONDOR incluiu em seu portfólio o KTOM, uma ideia originalmente cearense e que está sendo exposta na VIII Latin America Aerospace & Defence.

sábado, 2 de abril de 2011

DEFESA DO POLICIAL CONTRA FACA


No meio policial, apesar da razoável evolução nos novos métodos de treinamento policial, ainda persistem muitas dúvidas no que se refere aos procedimentos mais adequados quando houver a necessidade da utilização das armas de fogo. Muitos de nossos policiais, infelizmente, acham-se despreparados para enfrentar situações de risco, principalmente aquelas em que será necessário realizar disparos com a arma.

Alguns instrutores menos preparados, na formação destes policiais, ensinam técnicas e procedimentos totalmente desvinculados e abstraídos do que realmente seria necessário para uma maior segurança do policial em situações reais.

Uma dúvida recorrente é sobre qual seria o melhor procedimento a ser adotado por um policial para uma iminente agressão com uma arma branca.

Em várias partes do mundo há diversos estudos sobre os confrontos policiais à curta distância. O Sargento Dennis Tueller, da Utah Police Department, desenvolveu várias pesquisas sobre os confrontos em curta distância, tendo determinado que o tempo que um policial treinado  levava para sacar sua arma e realizar um disparo, era o mesmo que um agressor armado com uma faca levava para esfaquear um alvo a 21 pés de distância (6,4 metros). Ele desenvolveu um método de treinamento denominado Tueller Drill.

Um estudo do FBI sobre confrontos armados concluiu que 85% ocorrem a menos de 3 metros de distância.

Cecilio Andrade, instrutor e pesquisador de armas e tiro policial, com base em seus estudos, afirmou que: "El 60 por ciento de las personas atacadas con armas de fuego, sobreviven, pero, por contra, el 60 por ciento de los atacados con armas blancas...fallecen".

Em continuação ao artigo DEFESA DO POLICIAL CONTRA FACA (sugiro a leitura antes de prosseguir este texto) faço algumas considerações para as situações em que o policial é surpreendido por uma agressão com arma branca, em curta distância (menos de 7 metros), e com sua arma ainda no coldre.

No vídeo a seguir observe a gravidade e o risco de uma investida frontal, quando o policial não está devidamente preparado. Nesta sequência, filmada em um treinamento que ministrei para policiais militares, determinei que o PM se defendesse da agressão, entretanto eu ainda não havia explanado sobre a melhor técnica de defesa:


Posteriormente determinei que o policial se esquivasse lateralmente, ao mesmo tempo em que sacava a arma e realizava os disparos que fossem necessários para cessar a agressão. Vejam a nova sequência:


sábado, 19 de março de 2011

AUSÊNCIA

Há pouco mais de um mês venho desenvolvendo minhas atividades profissionais no Comando de Policiamento do Interior (CPI). Como toda a equipe de Oficiais é nova, estamos planejando e executando vários projetos de modernização administrativa e implementando novas dinâmicas operacionais. Além da constantes viagens, estes são os motivos pelos quais não tenho estado muito presente aqui no Sobrevivência Policial (muitos amigos estão me cobrando, principalmente o Major Frederico).

Nas diversas incursões que temos realizado nas cidades do interior cearense, além das ações de fiscalização administrativa, estamos estimulando a intensificação de operações de prevenção contra a criminalidade e reforçando a capacidade repressiva das regiões por onde temos passado.
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Peço aos meus amigos que não deixem de visitar o nosso Blog, pois em breve estarei postando diversos artigos de interesse técnico/profissional bastante interessantes.