
ERASMO DE ROTTERDAM (Em Elogio da Loucura)


Continuando o artigo do dia 24/05, passo a detalhar os fatores negativos apontados por mim:
1 – CONTEÚDO TEÓRICO RUIM
O autor da apostila, que também é o coordenador da disciplina, pecou ao conduzir o conteúdo teórico para dentro de sua área de conhecimento maior - Proteção de Autoridades. Sabemos que ele é um grande especialista e doutrinador nos temas relacionados à Segurança de Executivos e Proteção de Autoridades, além de ser um estudioso do Tiro e das Armas de Fogo, contudo houve um grande direcionamento do material para este ramo do conhecimento.
Errou gravemente o autor ao não procurar auxílio ou informações com outros policiais mais experientes, inclusive com o conhecimento prático (há muito o oficial citado não tem contato com as atividades operacionais de nossa Corporação), para que pudesse oferecer aos alunos um conteúdo mais apropriado às atividades que eles irão desempenhar: policiamento ostensivo e comunitário. As técnicas ensinadas, principalmente no tópico 6 (Técnica de Tiro Embarcado), observado nas páginas 48 a 52 da apostila do aluno, foge completamente ao bom senso da prática policial.
Muito parecido também ocorreu com o conteúdo da disciplina Armamento (Letal e Não Letal) e Equipamento, onde foi plagiado material teórico das Indústrias Condor.
É triste observar que os investimentos que o Estado tem realizado em vários policiais de nossa Corporação não estão sendo devidamente explorados ou aproveitados, ou seja: aqueles profissionais que têm formação técnica adequada dentro destes ramos do conhecimento não são procurados ou consultados quando da elaboração dos conteúdos teóricos dos cursos.
SUGESTÃO: Ao invés de concentrar a responsabilidade pela elaboração do material teórico dos cursos em uma só pessoa, pois ninguém é dono de todo o conhecimento dos assuntos relacionados às técnicas e táticas policiais, deveriam ser nomeadas comissões, com especialistas de cada ramo das diversas disciplinas, que elaborariam um material teórico mais adequado e centrado com as realidades da atividade policial, material este que poderia ser devidamente publicado para servir como doutrina das ações de segurança pública de nosso Estado.
Estive participando nos últimos dias, na condição de instrutor, dos treinamentos práticos de Tiro Policial Defensivo dos alunos do Curso de Formação Profissional da Polícia Militar do Ceará. Estes treinamentos vêm ocorrendo em um clube de tiro particular que foi contratado pela Secretaria de Segurança Pública e Defesa Social, por sinal o melhor e mais bem estruturado de nosso Estado.
Desde o início venho elogiando a estrutura e a sistemática da formação destes novos profissionais, conduzida de uma forma muito profissional pela Universidade de Brasília - contratada pelo Governo do Estado do Ceará para realizar a seleção e a formação para os novos Soldados.
Era unânime entre os instrutores da disciplina de Tiro Policial Defensivo, nos contatos que tive com a maioria deles no clube de tiro, a importância que foi dada aos treinamentos práticos dos alunos, inclusive a quantidade de cartuchos que foram disponibilizados para os treinos, sem falar na quantidade de horas/aulas. Se fizermos um comparativo com o que ocorria há algum tempo atrás, onde muitos cursos de formação terminavam sem um único exercício prático de tiro, tivemos uma grande evolução.
Entretanto, alguns fatores devem ser observados urgentemente, pelo bem da Polícia Militar do Ceará, do sistema de segurança pública de nosso Estado, de nossa sociedade e, principalmente, em respeito à vida destes novos Soldados. Elenco alguns deles:
2 - Imposição de um sistema de treinamento – Método Giraldi – para o qual a maioria dos instrutores não estava habilitada, portanto os alunos receberam treinamentos em níveis e características diferentes;
3 - Uma grande quantidade de horas/aula em poucos dias;
Grande concentração de alunos em pouco espaço de treinamento, comprometendo a segurança;
4 - A centralização das decisões pedagógicas em poucas pessoas, não tendo sido aberto espaço para que os professores e instrutores pudessem sugerir e opinar.
Em postagens posteriores, irei detalhar cada um destes pontos citados.
"Uma dominação injusta não pode ser eterna"
"Nem cora o livro de ombrear com o sabre. Nem cora o sabre de chamá-lo irmão."